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55a AG CNBB

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02/11/2012

Eu não vi ninguém



Existia um homem que desejava possuir ouro, muito ouro, todo o ouro possível. Desejava isso com tanta intensidade que não pensava em outras coisas. Quando passava em frente a uma vitrine e via algum adereço de ouro, não reparava as outras coisas bonitas que estavam expostas, via somente o ouro. Certo dia, não conseguiu resistir: entrou numa loja que vendia joias de ouro, rapidamente apanhou algumas correntes e pulseiras e tentou correr. Todo mundo viu; imediatamente o agarraram e os policiais perguntaram para ele:

- Como o senhor achava que ia conseguir fugir se a loja estava cheia de pessoas?

- É mesmo? – respondeu o homem – Não vi ninguém. Eu estava somente de olho no ouro.

Uma simples história para lembrar que existem muitos tipos de cegueira. A física, quando os olhos não cumprem direito a sua função, mas também a cegueira de quem só enxerga o que quer, o que gosta, ou o que lhe interessa. Também, muitas vezes, acontecem coisas debaixo dos nossos olhos e, no entanto, por covardia, comodismo ou indiferença agimos exatamente como se fossemos cegos.

A cura do cego Bartimeu, do evangelho deste domingo, é muito mais que um exemplo de recuperação da vista; é a transformação da vida daquela pessoa e, se entendemos bem, a possibilidade de que Jesus cure e mude todos nós.

Após vários domingos, encontramos Jesus, bom mestre, ensinando o caminho aos discípulos; agora estes devem tomar a decisão de segui-lo. Se não fosse assim Jesus seria apenas um “conselheiro”. Na realidade, ele quer mudar a vida das pessoas para que, enxergando agora o caminho certo, possam entrar neste caminho com determinação e coragem.

O cego, mendigo, sentado à margem da estrada, representa todos aqueles que, de alguma forma, cruzam com o Senhor que passa em suas vidas. Podem ficar parados, continuar na mesma situação de miséria e pobreza, ou lançar um grito de socorro. Bartimeu grita: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim“. Com isso, já manifesta a sua insatisfação, porque está cansado de ser cego, e, ao mesmo tempo, declara a sua confiança: finalmente encontrou alguém que poderá ajudá-lo.

Muitos mandam que o cego se cale, não perturbe, que fique quieto onde está. Outros pensam que a vida é assim, depende da sorte, do destino –  vontade de Deus? – e que é melhor se conformar, cada um, com a própria situação. No entanto, nem o cego – e nem Jesus – pensam dessa forma. É possível, sim, mudar as coisas; algo de novo e surpreendente pode acontecer. Jesus dá atenção a Bartimeu, manda chamá-lo. Dizem ao cego: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!”.  Que palavras extraordinárias para quem está sentado, imobilizado pela cegueira! É preciso ter coragem para tomar a decisão de sair de uma situação bem conhecida, para arriscar enfrentar uma nova realidade, desconhecida. Mas se Jesus chama... O cego pula, deixa o manto, que era o seu abrigo, a sua segurança. Ao mestre que pergunta o que Bartimeu quer, ele responde com decisão: “Que eu veja!”. Bartimeu está cansado de não enxergar, de não andar, de mendigar, quer uma vida nova. Jesus reconhece nele a força da fé e é por causa dessa fé que o cego fica curado. Por ela, também, o homem doente está transformado; confiou em Jesus e agora pode segui-lo pelo caminho. Livre e alegremente.

É uma página do evangelho que vale para todos. Vale como incentivo para aqueles que um dia perceberam Jesus passar em suas vidas, mas não quiseram mudar, continuaram as suas próprias existências, conformados ou reclamando da situação. Nunca gritaram por socorro. Nunca acreditaram que podiam pedir ajuda ao Senhor. Outros, diferentemente, pediram, gritaram, esbravejaram, mas quando Jesus os chamou para que fossem juntos dele, não tiveram força para pular, para chegar mais perto do Senhor. Enfim,  existem aqueles que perceberam a beleza da fé, a alegria de ser cristãos, mas, por algum motivo, preferiram outro caminho, desistiram de entrar e fazer parte dos discípulos do Mestre.

Cada um de nós veja em que momento desta página do evangelho pode se colocar. Ainda pode estar no início, parado com a cegueira do brilho do ouro ou de qualquer um dos ídolos deste mundo que nos cegam. Pode estar também seguindo Jesus de longe, nas veredas difíceis da vida. Mas talvez já esteja aproveitando da luz da fé, fraca ou brilhante que seja. Agradeça de coração e cuide-se para não sair nunca mais do caminho.


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