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28.05.2017


17/01/2013

O velho violino



Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

Numa casa de leilões, o homem que gritava as ofertas pegou  um velho violino. Estava todo arranhado e a madeira já tinha perdido o seu brilho. As cordas estavam balançando quase soltas. O leiloeiro sorriu e achou que não ia ganhar nada com aquela peça estragada, no entanto o levantou e, como de costume, gritou:

 

- Qual é a oferta para este velho violino? Começamos com...100 dólares. Quem dá mais?

- Cento e cinco – respondeu um.

- Cento e quinze – gritou outro. Alguém falou:

- Cento e vinte.

- Cento e vinte, cento e vinte – repetia o leiloeiro – Quem dá mais?

De repente, do fundo da sala um homem de cabelos grisalhos levantou-se e pegou no arco. Com um lenço tirou a poeira do instrumento e esticou as cordas. No silêncio da sala, começou a tocar uma linda melodia, doce e suave. Quando a música acabou, o leiloeiro voltou a insistir:

 

- Qual é a oferta para este velho violino? – Muitas vozes responderam:

- Mil dólares, dois mil, três mil, três mil e um, três mil e dois, e três mil e três, vendido! – finalizou o responsável do leilão. Todos aplaudiram. Mas alguém perguntou:

- O que foi que fez mudar tanto o valor do violino? – Logo chegou a resposta:

- Foi o toque do maestro!

 

O evangelho das Bodas de Caná é conhecido demais e oferece muitas reflexões. João evangelista explica que este foi o primeiro “sinal”de Jesus. Nós ainda insistimos no “milagre” da água transformada em vinho. Na realidade, o evangelista queria dizer muito mais. Com a presença de Jesus, as coisas velhas se tornaram novas e melhores. Em si, a novidade é uma só: o próprio Jesus, mas isso faz que também a antiga Aliança se torne nova e que o vinho “novo” seja melhor do que o velho. Tudo isso acontece durante um casamento, isto é, um compromisso de aliança entre os noivos.

A figura do casamento é familiar aos profetas quando querem explicar o compromisso amoroso de Deus com o povo escolhido e a sua inabalável fidelidade. O que Deus prometeu ao seu povo, desde o tempo do namoro no deserto, agora vai ser realizado plenamente. O “noivo” chegou para selar, agora, uma nova e eterna aliança. Será para sempre. Os odres do vinho velho secaram; o vinho novo, porém, é melhor do que o anterior e não tem como negar a sua qualidade. A festa do casamento - aliança entre Deus e o seu povo - não somente não irá acabar, como será uma festa ainda mais alegre.

 

Para o evangelista João, a “hora” de Jesus acontecerá no Calvário – a hora da glória -, no entanto neste primeiro sinal já se manifesta a seriedade do compromisso. Os discípulos começaram a crer nele. Para completar tudo isso, Jesus chama a mãe Maria de “mulher”, exatamente como a chamará da cruz, entregando-lhe o apóstolo João como filho. Jesus irá realizar outros “sinais” ao longo do quarto evangelho. Quem tiver a disponibilidade de segui-lo irá conhecê-lo mais, será confirmado na fé e, no final, também se tornará “filho” tendo Maria como mãe. Isso o evangelista já tinha escrito bem no início do seu evangelho falando da Palavra de Deus feita carne: “A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: são os que creem no seu nome. Estes foram gerados não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade de homem, mas de Deus.” (Jo 1,12-13). A Igreja-comunidade também é a “nova” mãe que sempre gera “novos” filhos na fé.

 

Podemos parar, já temos motivos suficientes para refletir. Nós somos convidados a fazer parte da festa desta nova aliança e a crer que seja mais perfeita do que a antiga. No entanto não entenderíamos o novo se não reconhecêssemos a bondade do velho. Jesus não veio para abolir a antiga aliança, mas para levá-la à plenitude. O antigo preparou o novo. Foi a palavra do “mestre” Jesus que revelou em plenitude o amor do Pai. Foi a vida doada de Jesus que resgatou o valor inestimável do amor de Deus para com todos. Quase como a música do maestro que deu muito mais valor ao velho violino do leilão.     

 


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