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25/01/2013

Eu fiz a ti



Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

Um santo homem passeava pelas ruas da cidade quando viu, numa esquina, uma criança maltrapilha e suja pedindo esmola. Elevou o seu pensamento a Deus:

- Ó Senhor, como podes permitir uma coisa destas? Suplico-te, faças alguma coisa.

De noite, sentado na poltrona de sua casa, assistiu ao noticiário da TV. Apareceram cenas de violência, de morte, de crianças abandonadas, feridas e doentes. Novamente rezou:

- Ó Senhor, quantos sofrimentos. Eu te peço, faças alguma coisa, por favor!

No silêncio da noite, o Senhor Deus lhe disse claramente:

- Eu já fiz alguma coisa: fiz a ti!  

Muitas vezes pensamos que seja obrigação de Deus resolver certos problemas. Ou que Ele tenha ficado indiferente e insensível aos nossos sofrimentos. Chegamos a duvidar do seu amor. Este não é somente um dos mal-entendidos a respeito de Deus, é também a forma mais simples para nos desculparmos e não assumirmos as nossas responsabilidades. Será mesmo que Deus não fez – ou não faz – nada para nos ajudar? 

O evangelho deste domingo nos apresenta Jesus voltando à sua cidade natal: Nazaré. Já havia muitas conversas sobre ele; algumas boas, falavam das suas curas e dos seus milagres, outras lembravam a sua família conhecida por todos. Jesus também ensinava. Assim lhe deram para ler e comentar um trecho do livro do profeta Isaías. Animado pelo Espírito, o profeta proclamava em poucas palavras o grande projeto de Deus. Estava comunicando a boa notícia da libertação para todos os que estavam presos pelas correntes da miséria, da opressão, da injustiça, da cegueira. Começava algo de novo; devia ser o tempo no qual se manifestava a bondade e a presença amorosa de Deus junto ao seu povo. Entendemos que eram palavras belíssimas capazes de dar coragem aos desanimados e reacender a esperança nos corações enfraquecidos. A pergunta que surgia, porém, nos corações dos ouvintes era sempre a mesma: “Até quando devemos esperar para que tudo isso aconteça? Talvez ocorra se Deus mesmo vier no meio de nós”. Mas, desta vez, inesperadamente, pela boca de Jesus, um homem igual a eles, bem ali na frente deles, veio a confirmação: “Hoje, se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir” (Lc 4,21).

“Hoje”, é a palavra chave para entender não somente esta página do evangelho, mas a própria missão de Jesus. O “hoje” não significa que tudo já está feito e que nada mais tem para fazer. Isso é o que pensam os que acham que Jesus devia ter resolvido todos os problemas uma vez por todas e que, portanto, não devia ter mais sofrimento e injustiça alguma no mundo. A terra já deveria ser um céu. No entanto se ainda não é assim é porque Jesus foi um grande mentiroso e um vendedor de ilusões. Igual aos moradores de Nazaré que ficaram decepcionados com Jesus. Eles teriam gostado muito mais dele se tivesse sido um milagroso salvador da pátria. Pelo jeito, os preconceitos não mudaram muito.

O “hoje” do evangelho de Lucas significa que o tempo da espera terminou, porque agora o próprio Jesus é a boa notícia que Deus está enviando à humanidade. Ele é o “hoje” do Reino, acontecendo. Quem acreditar nele e começar a viver o que ele ensina encontrará a sua própria libertação. Quem seguir a Jesus experimentará o que significa quebrar, primeiro em si mesmo, as correntes do egoísmo e do desamor. Não poderá mais explorar ou escravizar alguém, não poderá mais desprezar um irmão. Será olhos para os cegos, ouvido para os surdos, pernas para os paralíticos, esperança para os tristes e abatidos. Perdoará inimigos e chegará a doar a sua própria vida.

O “hoje” do amor de Deus para com todos já começou, só falta a nossa colaboração, só falta acreditar mais. Falta ter a certeza de que a fraternidade, a paz e a justiça, não são mais impossíveis. Infelizmente continuamos desacreditando na capacidade do amor de transformar o mundo e os corações humanos. Assim não enxergamos o bem que acontece ao nosso redor, a fé que move montanhas, o Reino de Deus, grão de mostarda, crescendo. Em lugar de cobrar de Deus deveríamos acreditar mais no “hoje” do bem e fazê-lo acontecer, aqui e agora, em nossas vidas. Ele nos fez cristãos para isso.

 


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