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Segunda-Feira, 26 de junho de 2017.


32ª Semana do Migrante busca conquistar direitos para refugiados e migrantes no Brasil

de 18 a 25/06/2017

Estudos sobre Maria serão ministrados pelo biblsta Pe. e Dr. Mauro Orsatti

“Os documentos não podem ficar nas gavetas, devem alimentar a vivência dos leigos” , diz dom Pedro Conti

05/06/2017 Laicato – CNBB


10/02/2013

Corte a corda



Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

O alpinista era um dos melhores. Tinha conseguido abrir novos caminhos e conquistar cumes de montanhas antes inalcançáveis. Já havia enfrentado muitos desafios e superado todos os limites. Certo dia, decidiu arriscar-se mais uma vez. A montanha mais alta o aguardava. Subiu confiante por uma parede íngreme; tinha estacas, corda e experiência suficientes para vencer. O que não podia prever eram os caprichos do tempo. Quando estava quase para chegar ao topo, foi surpreendido por uma tempestade. Imobilizado contra a parede viu a noite chegar. Estava agora na maior escuridão; tentou alguns movimentos, mas não enxergava absolutamente nada. Acabou escorregando e começou a cair. Ainda bem que estava amarrado. Quando a corda se esticou toda, o puxão que sentiu foi terrível, mas ele aguentou e a estaca cravada na montanha também resistiu. Estava pendurado, balançando no vazio e naquela escuridão não podia saber onde estava. Começou a rezar:

 

- Ó meu Deus, me ajude!

De repente ouviu uma voz que dizia:

- O que queres de mim, meu filho.

- Salve-me, meu Deus, por favor!

- Então corte a corda na qual você está pendurado - disse a voz.

 

O alpinista pensou que se largasse a corda iria espatifar-se contra alguma rocha lá em baixo. Assim, agarrou-se ainda mais a ela. No dia seguinte, quando a equipe de socorro chegou para resgatá-lo, foi encontrado morto de frio, pendurado, somente a dois metros do chão coberto de neve macia.

 

Das montanhas descemos para a beira do lago de Genesaré. O evangelho deste domingo nos apresenta Jesus ensinando sentado na barca de Simão. Quando acaba de falar, ele pede a Simão para entrar mar adentro e jogar as redes de pesca. Simão, o velho pescador, não titubeia: - Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas...- É este “mas” que faz toda a diferença. Simão deve decidir se confia mais nele mesmo, na sua experiência ou na palavra daquele homem que fala bonito, contudo, provavelmente, não entende nada de pescaria. No entanto Simão aceita o desafio, avança singrando as águas do lago e joga as redes. Conhecemos o resultado: nunca tinham visto tamanha quantidade de peixes. Valeu a pena acreditar na palavra do Mestre. Simão, porém, ficou com medo. Era um pobre pecador, não se achava digno de tanta generosidade. Mas Jesus ainda tinha uma surpresa maior para o pescador da Galileia: chamava-o a não ter medo e a segui-lo para ser “pescador de homens”. Diz o evangelho: Simão, Tiago e João, deixaram tudo e seguiram a Jesus (cf. Lc 5,11). São estes os primeiros apóstolos.

 

É evidente que a condição indispensável para serem seguidores de Jesus é  confiar na sua palavra. É necessário ter um grande apreço àquela palavra que ensina e dá sabor à vida e àquela que transforma um barco vazio num que quase afunda de tanto peixe. É a sua palavra que abre os olhos da mente e do coração para entender a grandeza do amor do Pai. É a sua palavra que fará caminhar os apóstolos quando ele os enviará a todas as nações do mundo. Para fazer isso, porém, precisa vencer o medo de arriscar, vencer a dúvida que a palavra de Jesus seja um convite como qualquer outro e não a Palavra que explica, dá gosto e muda a vida de quem a acolhe.

 

Jesus sempre renova para todos o seu convite a não ficar parados na beira do mar, mas a avançar para águas mais profundas confiando na sua palavra. Podemos chamar isso de “vocação” à santidade, com o gosto e o sabor do compromisso, da seriedade, da fidelidade e da perseverança até o fim. Exatamente o contrário da mediocridade, do comodismo ou de uma religião formal e, portanto, vazia, inútil e sem graça nenhuma. Jesus quer que sejamos cristãos corajosos e confiantes. Talvez seja necessário cortar a corda das nossas falsas seguranças e nos deixar salvar por ele. Somente a sua palavra pode manter quente o nosso coração para que não congele pelo frio da indiferença ou da recusa.     

 


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