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Segunda-Feira, 29 de maio de 2017.


Artigo de Dom Pedro: Tu és Jesus?

Ascens√£o do Senhor

Dia Mundial das Comunica√ß√Ķes Sociais

28.05.2017


05/03/2013

O cofre pesado



Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

 Após uma vida de trabalho, um homem idoso tinha perdido a esposa e vivia sozinho. Uma sucessão de fatos tristes também o tinha reduzido à miséria. Estava sem dinheiro e sem poder trabalhar. Os filhos, já adultos, estavam tão ocupados com suas tarefas que somente visitavam o pai, às pressas, uma vez por semana. O velho percebeu que eles não o queriam mais porque estava se tornando um peso. Um dia, porém, teve uma ideia. Pediu a um amigo ferreiro para construir-lhe um cofre de ferro. Depois foi com outro amigo vidraceiro e encheu o cofre com cacos de vidro. Por fim, colocou um cadeado no cofre,colocou-o debaixo da mesa da cozinha e pendurou a chave no seu pescoço. Os filhos viram a novidade e ficaram curiosos. Perguntaram ao pai o que tinha no cofre, mas o velho respondia por alto dizendo que lá somente estavam guardadas coisas antigas. Eles levantaram o cofre, viram que estava pesado e que, batendo, dava um som esquisito. Logo murmuraram entre si: “Deve estar cheio do ouro que o velho juntou a vida inteira”. A partir daquele momento, resolveram ficar de olho no pai e se organizaram em turnos para morar com ele. Também vieram as noras e os netos. Nunca mais o idoso ficou sozinho e sem ninguém que cuidasse dele. Um belo dia, o velho morreu. Mal acabaram de enterrar o pai, os filhos se precipitaram sobre o cofre para abri-lo. Com grande decepção, descobriram o engano.

 

- Velho safado! – gritou um, mas outro filho disse:

 

- O que podia fazer mais o nosso pai? Devemos ser sinceros: sem esta armação nós teríamos continuado a ficar longe dele. Ele fez com que nós cumpríssemos a nossa obrigação: honrar o pai e a mãe!

 

No evangelho deste terceiro domingo de Quaresma, Jesus repete duas vezes: “Mas, se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.  Depois conta a parábola da figueira que não produzia fruto. Esta terá mais um tempo para provar se está ocupando o terreno inutilmente ou não. As palavras de Jesus não são uma ameaça, são um alerta para não perder o tempo precioso da nossa vida.

 

A verdadeira conversão não é uma mudança qualquer. Não tem como objetivo alguma melhora simplesmente pessoal, ou alguma ação extraordinária que, inclusive, poderia nos encher de orgulho e assim nos afastar mais ainda de Deus e dos irmãos. A conversão nos pede para produzirmos frutos bons, frutos de alegria, de paz e justiça. Se estivermos com dúvidas podemos conferir os frutos do Espírito Santo, que encontramos na carta aos Gálatas cap.5, versículos 22 e 23. Para entendermos melhor podemos, nos versículos anteriores, conhecer também o contrário: os frutos da “carne”.

 

O primeiro fruto do Espírito é o amor! Podemos nos perguntar se Jesus está nos pedindo demais ou se, mais uma vez, ele está nos apontando o verdadeiro caminho da vida. O nosso agir bem, o nosso amar, é a nossa resposta ao amor de Deus. Não é mera filantropia: é uma resposta de fé, é a nossa maneira de participar do mistério do amor revelado em Jesus Cristo no qual acreditamos e no qual nos deixamos envolver mudando sempre – esta é a conversão – para corresponder melhor a este amor totalmente gratuito e nunca merecido. É uma vida nova – um jeito novo de viver– uma vida plena.  Todos os dias nós recebemos de Deus o dom da vida, o dom da fé e do amor. Sempre pedimos muita saúde e prosperidade, deveríamos pedir também mais fé e mais amor. Ensina-nos o Papa Bento XVI na carta sobre o Ano da Fé (n.14): “A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida”.

 

Para um cristão deveria ser feliz “obrigação” fazer o bem, produzir frutos de bondade e de generosidade. Se não o fazemos, está faltando a vida de Deus – que é amor - em nossa vida. Estamos morrendo por dentro sem saber. Por isso, a nossa conversão é questão de vida ou de morte. Ou será que precisa inventar alguma “mentira”, como o cofre do velho da história, para nos obrigar a cumprir o que deveríamos fazer livremente, alegremente e por amor?

 


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