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Círio de Nazaré 2017: inscrições do concurso para universitários até dia 30 de agosto

Diocese de Macapá acolhe a nova Coordenação da Pastoral da Juventude

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Inscrições para voluntários do Círio de Nazaré 2017 iniciam nesta terça-feira, 1º


22/07/2017

O maldizente



 

O maldizente                      

Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

Um antigo comerciante de Bagdá a encontrar um seu amigo lhe disse: - Sinto-me forçado a evitar a tua companhia. Hoje escutei torpezas a teu respeito. Replicou o amigo: - Já me ouviste maldizer alguém? – A dizer a verdade, não – respondeu o mercador. – Se for assim – continuou o amigo – seria bom evitar a companhia de caluniadores e fofoqueiros que falam contra mim. Amanhã espalharão calunias e inverdades também contra ti. Podemos comparar o caluniador à serpente venenosa e traiçoeira. Conta uma lenda que, certo dia, os animais perguntaram à serpente: - O leão atira-se contra a presa, mata-a e devora-a. A ovelha é estraçalhada pelo lobo e lhe serve de comida. O tigre, quando está com fome, ataca o carneiro e arrasta-o para o seu covil. Mas tu, que fazes? Mordes e inoculas veneno. Ora, que proveito tiras da tua maldade? A serpente retorceu-se toda e respondeu: - Nada espero dos meus golpes venenosos. Mas, agindo assim, traindo, envenenando, semeando a dor e a morte, não sou pior do que o caluniador.

A maledicência é o exemplo de algo errado que se espalha facilmente. No começo parece inocente, quase uma brincadeira, mas, na realidade semeia suspeitas, discórdias e rancores. Cresce e é difícil de arrancar. O que acabo de dizer pode servir de introdução à parábola evangélica do joio e do trigo. Ela, junto as parábolas do grão de mostarda e do fermento na massa, fazem parte do evangelho deste domingo. É a continuação do “discurso em parábolas” do evangelista Mateus. Todas começam com as palavras: “o reino dos céus é como...”. Não são definições, são comparações e sempre acontece algo de incomum. O “inimigo” semeia o joio no meio do trigo, estragando a plantação. A reação dos empregados é aquela de limpar logo o campo arrancando o joio. O dono, porém, não pensa assim. Manda esperar o tempo da colheita. Somente aquela será a hora de separar o joio do trigo. É um convite a não julgar antes do tempo. A ter paciência. O reino dos céus tem o prazo do “dono” e não dos empregados. Na parábola da semente de mostarda, é o tamanho dela que pode enganar aqueles que gostam de grandeza. O que hoje é pequeno, e por isso julgado sem valor, amanhã será grande.

A realidade do reino não depende da sua visibilidade imediata. O tempo irá provar o seu verdadeiro valor. Por fim, a parábola do fermento na massa nos lembra em primeiro lugar a ação dele, os seus efeitos. Por onde foi o fermento, sumiu? Não importa; contanto que a massa toda fique fermentada. Podemos resumir tudo com poucas palavras. O reino que Jesus veio iniciar exige paciência. O bem e o mal estão ainda misturados; já é sabedoria conseguir distingui-los, mas ainda não é o tempo da condenação. A hora do fogo, chegará. O reino não deve ser avaliado com as medidas do mundo: riqueza, poder e força. A grandeza do reino é outra, cresce por energia própria porque é a gratuidade do amor de Deus que o faz crescer. O reino pede também a humildade e a disponibilidade a desaparecer para se misturar no meio dos outros, no meio da história humana. Uma pitada de fermento é só um pouquinho de pó. No entanto, transforma alguns quilos de massa, talvez até 40, correspondentes as três porções de farinha. Quem o teria imaginado?

As parábolas de Jesus são situações acontecendo. Podem ser do tamanho do mundo, como o campo onde crescem o joio e o trigo juntos, ou das dimensões de uma horta onde brotam sementes variadas ou, enfim, da quantidade de três porções de farinha para serem trabalhadas, assadas e tornar-se pão para as famílias, o pão de cada dia. Tudo isso é o reino dos céus. Jesus nos convida a ter um olhar diferente, sempre confiante na ação de Deus. Lembramos uma expressão cara ao Papa Francisco: “o tempo é superior ao espaço” (EG 222). As coisas grandes, as verdadeiras e profundas transformações acontecem com processos, aos poucos, mas sem parar. Devemos acreditar que o bem se espalha e cresce. Encontra amigos, colaboradores, multiplicadores. A Serpente ainda espalha o seu veneno e nos leva ao desânimo. Mas o reino vencerá. Porque é de Deus!              


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