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Quarta-Feira, 23 de agosto de 2017.


Círio de Nazaré 2017: inscrições do concurso para universitários até dia 30 de agosto

Diocese de Macapá acolhe a nova Coordenação da Pastoral da Juventude

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Inscrições para voluntários do Círio de Nazaré 2017 iniciam nesta terça-feira, 1º


06/08/2017

Joias para se distinguir



  Joias para se distinguir

                      Dom Pedro José Conti

 Bispo de Macapá

 

Lemos, mais uma vez, no Talmude, o livro que comenta e exemplifica a Lei Judaica, que um jovem príncipe, desejando partir e viajar pelo mundo, pediu ao pai que lhe fornecesse dinheiro, vestimentas adequadas e joias preciosas. Dessa maneira, ele se distinguiria dos demais. Respondeu-lhe o pai: “Veste o meu manto de púrpura; coloca no dedo o anel de rubis e a minha coroa de ouro na cabeça. Todos te reconhecerão como meu filho”. Diferente foi o que Deus disse a Israel: “Acolhe a Lei; pratica os meus mandamentos e serás reconhecido como o povo de Deus!”.

O primeiro domingo de agosto deste ano cai no dia 6. Nesse caso, a festa da Transfiguração do Senhor prevalece sobre a liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum. Por estarmos no ano litúrgico do Evangelho de Mateus, já encontramos o mesmo trecho no segundo Domingo de Quaresma. Temos a possibilidade de refletir novamente sobre esse texto, mas de maneira diferente. Salientamos, por exemplo, o momento da Transfiguração em si e as palavras do Pai: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!”. 

Nos dias de hoje, nós confiamos muito naquilo que podemos ver, ouvir e tocar. Chegamos a pensar que o que não vemos talvez nem exista. O que não é propagandeado, ou ao menos comunicado, fica desconhecido aos demais. É como se não existisse para uma grande maioria das pessoas. Contudo basta um pouco de reflexão para perceber que muitas coisas “reais” não são absolutamente visíveis e não são passíveis de algum tipo de medição. Elas pertencem a outro tipo de conhecimento. É muita presunção por parte das pessoas decidir que aquilo que não cai de baixo dos seus sentidos, afinal, não exista. De muitas coisas, por exemplo, podemos perceber, digamos, os rastos, mas nunca vamos vê-las inteiramente. Pensamos nos nossos sentimentos. Os percebemos pelas atitudes exteriores, sempre admitindo que, nós e os outros, não estejamos fingindo. O interior do ser humano é mais escondido e complexo que o mundo material que percebemos e experimentamos através dos nossos sentidos.

A Transfiguração é uma apresentação dos evangelistas para nos ajudar a entender um pouco mais o “mistério” da pessoa de Jesus e de todo ser humano. Na sua existência corporal, o homem Jesus foi a mais perfeita imagem de Deus que podia existir neste mundo. “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” diz São Paulo em Cl 1,15. E o próprio Jesus responde a Filipe, que tinha pedido de lhes mostrar o Pai: “Quem me viu, tem visto o Pai” (Jo 14,9). Não só. Em cada ser humano também tem algo de divino. É esta “divindade” que precisamos reconhecer e resgatar em cada pessoa, por mais escondida e desfigurada que ela seja. A afirmação que o ser humano foi criado a “imagem e semelhança de Deus” se refere muito mais ao interior da pessoa e à sua capacidade de amar do que a beleza física ou aos dotes intelectuais e a complexidade extraordinária do corpo humano. A indescritível luminosidade de Jesus, expressa através da candura de suas vestes, revela a sua perfeita comunhão divina. Deus Pai colocou nele todo o seu agrado! Se escutamos e praticamos o que ele ensinou, nós também podemos nos tornar resplandecentes na escuridão da história humana. Tudo o que reflete a bondade, a misericórdia, o amor de Deus torna a vida mais bela, alegre, feliz, luminosa.

Para o cristão que acredita, Jesus é a Palavra de Deus feita carne. Ele falou com suas palavras e sua vida, doada a todo instante, até a cruz. Este foi o seu trono e a sua coroa foi de espinhos. Um condenado que ainda ilumina o mundo. A luz do amor sem limites de Deus, que dele promana, não diminui e nem se apaga. Nós, que queremos ser seus amigos, não seremos reconhecidos por joias, enfeites, coroas de ouro e nem por uniformes, cor de pele, raça ou qualquer outra das infinitas diferenças do gênero humano. Nos distinguiremos somente por viver o mandamento do amor. Também se muitos não o reconhecerão e nem o saberão. Mas Deus Pai conhece bem os seus filhos.


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