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O Ano Nacional do Laicato



O Ano Nacional do Laicato

 

 Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

 

Com a Solenidade de Cristo Rei, encerramos o Ano Litúrgico. O próximo domingo já será o Primeiro de Advento do ano novo, rumo ao Natal de Jesus. O Domingo de Cristo Rei, deste ano, porém, tem um sentido especial. No Brasil terá início o Ano Nacional do Laicato, que continuará até o domingo de Cristo Rei de 2018 (25 de novembro). Cabe alguma explicação: o que entendemos por “Laicato” e porque um Ano Nacional sobre esse assunto. Para entender, lembro também o lema escolhido: Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em saída”, a serviço do Reino. Referência bíblica serão os versículos de Mt 5,13-14, resumidos na frase: “Sal da Terra e Luz do Mundo”. A palavra final sobre o Ano Nacional do Laicato foi dada, ainda no ano passado, com a aprovação dos bispos, no Documento 105: “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade”. O documento teve uma gestação demorada e bem participada pelos próprios leigos e leigas. Muitos tiveram a possibilidade de expressar suas ideias e sugestões. O documento tem como finalidade retomar o assunto dos leigos e leigas, destacando a sua presença ativa e consciente, como sujeitos na Igreja e na sociedade. Para entender do que estamos falando, precisamos esclarecer quem são os leigos e as leigas.

Em geral, ainda hoje, esses nossos irmãos e irmãs são definidos por aquilo que “não são”. É comum ouvir dizer: quem não é padre, nem frei e nem freira, é...leigo.  Essa expressão não explica toda a verdade. Igualmente, para alguns, falar de Igreja, significa falar de papa, bispos, padres, religiosos e religiosas. O cristão, em geral, não se reconhece Igreja. No entanto as coisas devem ser entendidas de forma muito diferente. O Concílio Vaticano II, do qual comemoramos os 50 anos da conclusão em 2015, procurou buscar o que é comum a todos os cristãos antes do que os distingue. Todos os batizados formam o único Povo de Deus e todos têm a mesma dignidade. Não tem cristão de primeira, segunda, ou terceira categoria. O que diferencia os batizados são os ministérios, ou serviços na Igreja e as vocações específicas, mas isso não torna ninguém mais cristão do que os outros. Isso deve ficar bem claro. Os padres, que são uma minoria absoluta no meio do povo de Deus, estão a serviço dos demais batizados, através do ministério ordenado que os habilita ao pastoreio e à administração dos sacramentos. Os religiosos e as religiosas, hoje os “consagrados” em geral, manifestam uma vocação específica para a vida comum, a pobreza, a castidade e a obediência. Mas os diferentes dons que o Espírito Santo distribui às pessoas são todos e sempre para o bem dos demais.

Nesse sentido, é preciso reconhecer a enorme contribuição que os cristãos leigos e as leigas dão à Igreja toda. Não somente participando dela, mas realmente colaborando de todas as formas. Basta pensar nas nossas paróquias e comunidades. Não teríamos tantas pastorais, movimentos, grupos e serviços e não conseguiríamos realizar tantas iniciativas sem a presença ativa dos leigos e leigas. Apesar de tudo, porém, ainda estamos longe do fato que todos os batizados tenham consciência de ser “sujeitos” da vivência da própria fé e da própria missão na Igreja e na sociedade. Muitos leigos e leigas, nas comunidades, ajudam de forma extremamente generosa e totalmente entregue aos muitos serviços, mas, às vezes, ainda preocupados mais em agradar aos padres que por causa do seu próprio Batismo e Crisma. Ser “sujeitos na Igreja e na sociedade”, significa saber o porquê do engajamento, o valor do testemunho, a alegria da doação.

 A situação é ainda pior se observarmos a presença dos cristãos na sociedade. Todo batizado “é” Igreja lá onde vive, trabalha, luta e sofre. É plenamente sujeito, já foi enviado pelo Batismo. Deve ser a “luz” que ilumina de amor a vida familiar, os negócios, a política, a economia, a cultura, os meios de comunicação. Luz que desmascara a injustiça e a exclusão. Deve ser o “sal” que dá sentido à honestidade, dá gosto à solidariedade, tempera a impaciência para que a alegria da paz brote no coração de sempre mais irmãos e irmãs. Quantos cristãos estão apagados e sem gosto por medo, vergonha, ou mesmo ignorância da sua missão. Temos muitas coisas a descobrir e a viver, mas sempre em comunhão. Um só Povo de Deus, fraterno e unido no serviço a Cristo Rei, de verdade. Sem clericalismos, antagonismos e disputas pelo poder. Só pela causa do Reino.

 

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