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Terça-Feira, 23 de janeiro de 2018.


Artigo de Dom Pedro: Acolher, proteger, promover e integrar

Mensagem de Ano Novo 2018

Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz

01 de janeiro de 2018

Artigo de Dom Pedro: “Na plenitude dos tempos” (Gl 4,4)

Mensagem de Natal 2017


30/12/2017

Acolher, proteger, promover e integrar



Acolher, proteger, promover e integrar

 

 

     Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

 

Novamente, neste final de semana, além do início do ano novo civil de 2018, algumas celebrações importantes do Ano Litúrgico se juntam. Para nós, católicos, o último dia de 2017 coincide com o domingo da Sagrada Família e o dia 1º de janeiro com a Solenidade de Maria Mãe de Deus. Também já faz 51 anos que Papa Paulo VI proclamou o primeiro dia de cada novo ano civil como Dia Mundial da Paz. A partir daquele 1º de janeiro de 1968, todos os Papas que o sucederam continuaram a manter essa tradição. Em homenagem aos 50 anos do Dia Mundial da Paz, completados em 2017, o Presépio da nossa Catedral está com algumas frases das mensagens dos Papas, sempre divulgadas nessas ocasiões. Todas elas são bonitas, têm denúncia e profecia; convidam os cristãos a serem bem-aventurados, porque construtores de paz. Talvez porque as palavras dos Papas, de alguma maneira, sempre incomodam católicos e não católicos, poucas pessoas se preocupam de lê-las integralmente e, na maioria das vezes, elas acabam no esquecimento.

A mensagem do Papa Francisco para 2018 tem como título: “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”. Irei refletir um pouco sobre esse assunto, porque entre tantos nomes que foram dados à Maria está, também, o de Nossa Senhora do Desterro, lembrando aquele momento da vida da Sagrada Família que, no evangelho de Mateus, é apresentado como “a fuga para o Egito” (Mt 2,13-15). É bom nos lembrarmos disso. Entre os milhões de migrantes e refugiados tem famílias inteiras com seus filhos, muitos ainda crianças de colo. Tantas outras crianças crescem nos acampamentos ou, quando acolhidas, em países totalmente novos, com costumes e culturas bem diferentes dos seus lugares de origem. Como será essa nova humanidade, dividida entre as tradições, também religiosas, das suas famílias e o novo ambiente onde crescerão? O veremos nos próximos anos. Será uma geração mundial capaz de diálogo e tolerância entre si e com os demais ou cada etnia buscará, além da própria justa sobrevivência, a supremacia numa disputa acirrada por direito à terra, à água, à tecnologia e ao poder econômico? Não devemos ter dúvidas de que a humanidade toda colherá o que está semeando nestes anos que estamos vivendo, nesta onda de migrações que, segundo a mensagem do Papa Francisco, alcançam os 250 milhões de seres humanos. São muitos e não podem ser esquecidos. É urgente, portanto, uma “corrente de apoios e beneficência”, diz o Papa. O problema é mundial e nenhum país deve pensar de estar isento de responsabilidade ou, pior, achar que muros, arames farpados e metralhadoras, resolvam a questão. A paz é sempre uma conquista laboriosa e “artesanal”. Deve ser construída com as mãos e os corações ao mesmo tempo.

Papa Francisco denuncia o medo e aqueles que fomentas esse medo contra os migrantes e refugiados, ou seja, todos aqueles que veem somente o tamanho da responsabilidade na acolhida deles. Os migrantes e refugiados “não chegam de mãos vazias”, trazem também as suas capacidades de trabalho, a sua coragem e os seus sonhos de paz. Após tantos debates e infindáveis discussões, é preciso ação. Segundo o Papa Francisco a estratégia deve combinar quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar. É fácil perceber que todas essas “ações” devem ser de fato interligadas. Colocar em campos de refugiados milhares de pessoas não resolve a vida delas e nem da região onde estão hospedados. Sem acompanhamento e proteção de leis adequadas, muitos migrantes, para sobreviver, ficam vítimas da exploração, do trabalho escravo, do tráfico internacional de drogas, armas, órgãos e pessoas. A promoção humana dos migrantes e refugiados pede também a integração, a inculturação e o diálogo. Somente assim as diferenças de línguas e costumes podem ser superadas e a paz construída. O contrário disso seria “a capitulação – da política internacional - ao cinismo e a globalização da indiferença”. Vamos unir as forças. Uma nova humanidade desponta. O planeta pode ser, sim, a “casa comum”, a casa de todos, mais felizes com a paz mundial.


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