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02/11/2012

O Guru e o Barbeiro



Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá
 

Na religião hinduísta, os gurus são uma espécie de guias espirituais muito respeitados. Conta uma história que, certo dia, antes de visitar um famoso santuário da sua religião, um guru, bem macilento, entrou numa barbearia. Imediatamente o barbeiro, que estava tirando a barba de um homem gordo e flórido, largou o cliente que estava atendendo e, com toda atenção e deferência, fez um serviço completo e caprichado para o guru. Depois disso, ainda lhe deu algumas moedas pedindo que rezasse por ele e sua família.

O guru, agradecido, decidiu em seu coração que recompensaria o barbeiro, tão atencioso, com as esmolas que ia recolher naquele dia. Depois de algumas horas, um desconhecido aproximou-se do guru e lhe deu um saquinho cheio de moedas de ouro. O guru, conforme tinha prometido em seu coração, correu com o barbeiro e lhe ofereceu o pequeno tesouro. No entanto o barbeiro mostrou-se ofendido e disse:

- O que é isso? O senhor, que deveria ser um santo, não se envergonha de querer me pagar um serviço que fiz por amor a Deus?

Um exemplo de generosidade do barbeiro e de desprendimento por parte de ambos, visto que nenhum dos dois deu muito valor às moedas de ouro. Com efeito, um trabalho, para ser serviço verdadeiro, deve andar junto com a gratuidade e a disponibilidade. Se for pago, já se torna negócio; se for mal feito, revela má vontade por parte de quem o oferece.

No entanto, no evangelho deste domingo, Jesus nos ensina que o serviço generoso e gratuito deve estar também junto com o poder e a autoridade. Se os grandes do mundo oprimem e tiranizam as nações, entre os discípulos de Jesus não pode ser assim. As coisas devem ser muito diferentes. Quem quer ser o primeiro seja-o no serviço, tornando-se servo de todos.

Em geral, ter poder é sinônimo de mandar e, para quem não o tem, significa submissão e obediência. Esta maneira de pensar está tão enraizada em nós que é muito difícil imaginar uma autoridade que não possa mandar. Afinal, se ele não pode impor a sua vontade, que poderoso é?

Jesus sempre nos desafia porque nos propõe algo de verdadeiramente novo, muito diferente da maneira de pensar e de agir dos grandes e poderosos do mundo, que se acham  donos de tudo. O que está em questão não é a autoridade em si; sendo legítima e honesta ela deve existir e exercer a sua função. Jesus propõe que esta autoridade não se transforme em autoritarismo. Ele pede que seja um serviço para o bem de todos, de maneira especial para os pobres e os excluídos das benesses da sociedade. Ocupar um cargo de responsabilidade não deve ser entendido como um poder incondicional e, portanto, opressor, resultado de ambições e disputas onde vale tudo para conquistá-lo. Ao contrário do orgulho humano, que visa ocupar os primeiros lugares para sentir-se importante, admirado e bajulado, Jesus propõe o último lugar, o lugar daquele que, antes de pensar em si, serve a todos.

Perguntamo-nos: será possível ocupar fisicamente os primeiros lugares e agir, espiritualmente, como alguém que não promove a si mesmo, mas coloca em primeiro lugar na sua vida o bem dos outros? É muito difícil, mas nada é impossível para Deus. Por isso, Jesus pede que o seu projeto de serviço comece, ao menos, entre os seus discípulos.

Não tem como não lembrar, neste momento, também as autoridades na Igreja, começando pelos padres, passando pelos bispos, até o Papa, incluindo os superiores e superioras das famílias religiosas, leigos e leigas responsáveis de pastorais, movimentos e comunidades. Evidentemente sempre pode ter alguém que planeje, também em nossos dias, uma possível carreira eclesiástica, que seja um pastor ganancioso, centralizador e autoritário, alguém que busque a sua autopromoção. No entanto acredito que devemos reconhecer a generosidade e a dedicação da grande maioria das pessoas consagradas e comprometidas. Com efeito, não tem ouro que pague o amor e a dedicação de tantos irmãos e irmãs, integralmente devotados às suas comunidades, à suas paróquias, às obras da caridade.

Como o barbeiro que não quis receber recompensa por um serviço que havia feito por amor a Deus. O bem, feito por amor, é a própria recompensa para quem se entrega ao serviço sem reservas. E no amor vivido está presente o próprio Deus que, por sua vez, se doa sempre como prêmio incalculável.


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