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28.05.2017


"Mundo Jovem"



MARÇO

 

Uma desigualdade marcante entre homens e mulheres

entrevista com Sônia Coelho, publicada na edição nº 434, março de 2013.

 

Sônia Coelho integrante da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e militante da Marcha Mundial das Mulheres, São Paulo, SP. sonia@sof.org.br

 

Nenhuma desigualdade entre as pessoas faz parte da natureza humana. Infelizmente, entre homens e mulheres ainda é possível constatar profunda discrepância de direitos, mesmo com alguns avanços consideráveis nos últimos anos. O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, pode ser uma ótima oportunidade de discutir as questões de gênero e sinalizar esperança de igualdade. A assistente social Sônia Coelho, que milita na Marcha Mundial das Mulheres e integra a Sempreviva Organização Feminista (SOF), em São Paulo, nos propõe algumas pautas importantes para um debate frutífero.

É possível falar em avanços nos direitos da mulher, nos últimos anos?

Há uma parte importante de avanço que é o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho. Isso é relevante do ponto de vista da autonomia econômica das mulheres. Segundo o IBGE (2011), as mulheres são 45,4% da população ocupada e 46,1% da população economicamente ativa. Por outro lado, persistem muitas desigualdades: as mulheres continuam ganhando menos, cerca de 70% do que os homens ganham, mesmo considerando que as mulheres hoje são mais escolarizadas do que os homens; ainda são exceção em cargos importantes e de decisão, embora seja crescente o número de mulheres em algumas ocupações; e a mulher continua em setores considerados femininos que são mais desvalorizados. No Brasil, o emprego doméstico é o principal mercado de trabalho principalmente para as mulheres negras. Apenas 28% têm carteira assinada e, destas, 72% ganham menos que o salário mínimo. Temos visto também que, em relação às mulheres negras, persiste a desigualdade de menores salários e ocupações mais desvalorizadas em relação às mulheres brancas.

Além do avanço no mercado de trabalho, a legislação de proteção à mulher também avança?

Em relação à proteção da mulher, hoje já existem leis que a amparam, como é o caso da Lei Maria da Penha, na questão da violência. Porém, apesar dos avanços e das leis, quando olhamos a realidade, vemos que ela é bastante complexa e que a lei sozinha é insuficiente para mudar a situação de violência contra a mulher. A respeito da Lei Maria da Penha, um avanço é o aumento das denúncias, mas o Brasil continua como um dos países considerados muito violentos, segundo o Mapa da Violência/2012. O Brasil, entre os 84 países do mundo pesquisados, consta como o sétimo em homicídios. Inclusive está em curso no Brasil uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência contra a mulher, que o Senado propôs para investigar o descaso em relação a este tipo de violência que ocorre no Brasil. Existe uma lei importante de proteção à mulher, mas ela não está implementada integralmente. Observa-se, inclusive, uma grande omissão dos estados em relação à implementação dessa lei, seja na aquisição de equipamentos, seja na questão orçamentária para o combate à violência contra as mulheres. Conclui-se, então, que falta investimento para implementar a lei e colocar em prática uma política, primeiro de prevenção contra a violência e, depois, de atendimento integral à mulher vítima da violência. Porque os dados a respeito disso no Brasil são bastante alarmantes. Segundo pesquisa nacional da Fundação Perseu Abramo, a cada dois minutos, cinco mulheres sofrem violência.

A mulher está no mercado, mas não abandonou as lides da casa. Então ela assume muitos papéis?

As mulheres estão ocupando cada vez mais o mercado de trabalho, mas a sociedade ainda funciona como se todas as mulheres fossem donas de casa simplesmente, com tempo integral em casa. As mulheres continuam fazendo a maior parte do trabalho doméstico, do cuidado das crianças, dos idosos etc. Um dos grandes problemas, que inclusive tem sido motivo de discussão em períodos eleitorais, é a questão da ampliação do número de vagas em creches. No Brasil, somente 18% das crianças têm acesso à creche. Isso é um problema impeditivo para a mulher acessar o mercado de trabalho, e muitas vezes implica para a mulher tomar decisões com relação à vida profissional, redução de carga horária com redução de salário. Ou seja, a mulher acaba tendo que conciliar sua vida particular com a vida profissional. Além do que, isso ocasiona sobrecarga de trabalho. Existe outra discussão, que é a questão do tempo social. Quando a responsabilidade fica com a mulher, como se fosse obrigação somente dela, e fica com quase todo o seu tempo voltado para o trabalho, isso significa menos tempo para participação social, para o lazer etc. Temos o grande desafio de romper essa divisão sexual do trabalho. Hoje mais de um terço das famílias são sustentadas pelas mulheres. Os homens não são os únicos provedores. O trabalho doméstico e de cuidado precisa ser assumido na sociedade através das políticas públicas e pelos homens.

Quando se observa o desequilíbrio das relações de gênero entre homens e mulheres, você diria que isso é um aspecto cultural enraizado?

Nós vivemos a cultura patriarcal misógina. E temos visto que isso significa desigualdade, ideia de mercantilização do corpo e da vida das mulheres, mulheres consideradas objetos. Aliás, uma marca dos tempos atuais é a mulher considerada mercadoria. A prostituição é entendida por alguns como um trabalho, mas para nós é uma extrema exploração do corpo das mulheres, a banalização do corpo e da vida. Por outro lado, o que define as desigualdades entre homens e mulheres não são somente os aspectos culturais, mas também a base material, que é a desigualdade econômica, a sobrecarga de trabalho sobre a mulher, falta de acesso a espaços de decisão. Ou seja, as mulheres continuam sendo minoria ocupando postos de decisão do ponto de vista da participação política, ainda que tenhamos uma mulher na presidência. As mulheres continuam bem abaixo da posição que deveriam ocupar na representação perante a sociedade.

As organizações de mulheres têm discutido também as esperanças para mudanças desse cenário?

A gente continua acreditando que as mudanças vêm através da organização das mulheres. Porque a desigualdade entre homens e mulheres não é só um efeito desse modelo que vivenciamos. Ela é parte desse próprio modelo de sociedade que se nutre da opressão das mulheres. E acreditamos que nós, mulheres, temos um papel de nos mantermos organizadas, de nos mantermos na luta, exigindo mudanças, construindo consciência. Pois, apesar dos avanços, não podemos nos acomodar pensando que as coisas se resolvem por si mesmas. O que percebemos muitas vezes é que há avanços na sociedade, mas que também há retrocessos. E por isso é necessário seguir lutando para uma transformação geral da sociedade. As mulheres têm lutado e se organizado como sujeito político em todos os setores: no campo, na cidade, contribuindo para mudanças. E há pouco houve, por exemplo, uma conquista importante para as empregadas domésticas, que foi a aprovação da lei que torna iguais seus direitos aos direitos das outras classes trabalhadoras. Era uma luta de muito tempo e a vitória chegou: produto da luta das mulheres organizadas.

Como você vê a abordagem dessa temática de gênero no âmbito curricular das escolas?

Essa é uma questão que temos demandado aos governos municipais e estaduais, através das conferências de políticas para as mulheres. Precisamos introduzir essas questões das desigualdades, não só de gênero, mas também de raça e orientação sexual, nos currículos escolares. Da mesma forma, deve ser feita a análise da violência, a construção das mulheres como seres inferiores e homens superiores reproduzida na sociedade através dos meios de comunicação na família, inclusive na escola, que é um importante espaço socializador. Infelizmente, às vezes, ela ainda reproduz a desigualdade entre meninos e meninas, entre brancos e negros, ou não tem uma visão crítica sobre a questão da violência, da orientação sexual. É possível observar manifestações machistas e racistas por parte não somente dos alunos, mas também por parte do corpo docente. Os meninos são educados como se a violência fosse constitutiva da sua identidade masculina. Isso, muitas vezes, é tratado como se fosse natural, o que só reforça esse comportamento inadequado na sociedade. Nesse sentido, a educação é muito importante para fazer mudanças e educar pessoas livres de preconceitos. Para transformar a sociedade, precisamos transformar também a escola.

 

As mulheres e suas bandeiras

Hoje, encaramos desde a luta cotidiana contra a violência, que atinge diretamente as mulheres, mas também nos juntamos na luta pela soberania alimentar, pela economia solidária etc. Introduzimos todos os aspectos de luta no nosso calendário. Não são apenas especificidades. Há uma luta pela autodeterminação das mulheres, pelo direito de decidir se querem ou não ter filhos, pela saúde. Tudo isso é parte importantíssima da nossa agenda.

Temos lutado pela autonomia econômica, que não é só autonomia financeira, mas que junta a questão por renda e pelas políticas públicas. Enfocamos também a mercantilização do corpo das mulheres, que gera violência e visão das mulheres como objeto, a questão da prostituição...

A questão da terra e dos grandes projetos é também reivindicação feminina por uma mudança de modelo. Que se pense um novo modelo a partir da reprodução da vida, que venha proporcionar qualidade de vida às pessoas. Buscamos combater um modelo de sociedade que explora, que deteriora o ambiente. Estamos na luta geral contra este modelo econômico, um modelo de desenvolvimento que pensa grandes obras sem priorizar estruturas voltadas à vida das pessoas.

A Marcha Mundial das Mulheres tem também um campo vasto de atuação. Atua na questão do trabalho, na autonomia econômica, na luta contra a violência, pela paz e pela desmilitarização. Se você pegar a região da Europa, a Marcha está muito focada contra as políticas de austeridade, contra o desemprego que afeta diretamente as mulheres. Na África, a Marcha está voltada para a questão da solidariedade com as mulheres e contra a violência.

Fomos parte organizadora do Fórum Social Palestina Livre, para trabalhar a solidariedade com as mulheres da Palestina. Nesta região do mundo, o imperialismo se impõe através de Israel para destruir as pessoas e ocupar o território. A gente vê cada vez mais o uso de armas, o aumento dos orçamentos para segurança, para guerra, em detrimento a outras políticas, e isso também tem sido uma bandeira de luta internacional.

A nossa visão do feminismo é que temos que fazer uma luta contra todo o sistema, porque todos os aspectos do modelo se articulam para a opressão das mulheres

 

JANEIRO

A ousadia dos jovens para construir o novo

entrevista com Priscila Casale, publicada na edição nº 433, fevereiro de 2013.

 

Priscila Casale da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), São Paulo.

priscilacasale@gmail.com

Mais uma vez a juventude é destacada como tema da Campanha da Fraternidade, como já havia sido em 1992. Desde aquela Campanha, talvez o que mais chame a atenção é a diversidade de jovens ou dos diferentes modos de ser jovem na contemporaneidade. Mas, se no início dos anos 1990, os “caras pintadas” saíam às ruas para se manifestar por ética e justiça na política, hoje a compreensão da juventude como sujeito de direitos é uma realidade que se afirma. É o que se conclui após a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude, conforme relata Priscila Casale, da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), São Paulo.

·         Quais são as principais características dos jovens?

As características da juventude sempre foram, e continuam sendo, de transformar, de fazer revolução, de apresentar novas opiniões e, em especial, de se mobilizar e mobilizar todo o povo em torno de uma causa. Primeiro, por uma característica quase que fisiológica, o jovem vive um período bastante complicado da vida. É um momento em que começamos a ter as nossas primeiras experiências. Há o conflito da transição da infância para a vida adulta, é quando nos deparamos com os nossos principais desafios; quando começamos a ter uma relação mais profunda com o mundo. É o momento em que conseguimos aprofundar nossa relação com o mundo e entender quem somos, quais são os nossos passos e qual é o nosso dever.

·         Quais são as principais dificuldades e os desafios da juventude?

Por conta das características da juventude, é um período da vida bastante complicado, mas também maravilhoso: é quando começamos a contraditar a ordem das coisas, das regras da sociedade. Eu acredito que para o desenvolvimento do indivíduo na sua plenitude, e para o mundo, para os desafios que o mundo tem, para a história da humanidade como um todo, a juventude cumpre um papel fundamental. Quanto aos problemas que a juventude sofre, acho que são os mesmos que a sociedade no geral sofre. Porém acredito que na juventude os problemas têm mais peso. Infelizmente, por exemplo, o jovem ainda tem mais dificuldade de conseguir trabalho decente, em especial quando se trata de uma jovem mulher ou de um jovem negro, um jovem da periferia.

·         O que mudou no Brasil em relação aos direitos e às políticas públicas para os jovens?

Se a pessoa idosa, a criança e o adolescente têm os seus direitos, agora estamos reconhecendo que a juventude é também um ser de direitos e tem que buscar esses direitos. E são direitos com a finalidade de que a juventude consiga sua autonomia, sua emancipação, que ela não fique sempre dependente de uma ação tutelada do Estado, mas que consiga vivenciar plenamente sua condição juvenil e se colocar no mundo. Além disso, avançamos no que se refere às políticas públicas para a juventude. Desde as conferências livres, nos estados e municípios, foi oportunizado à juventude falar, mandar seus relatórios e opinar na construção dessas políticas públicas. Nisso há um avanço muito grande de incluir o jovem, porque ouvimos o jovem, sabendo o que ele quer.

·         O que representa a educação para os jovens?

A educação é a bandeira central da juventude. Sempre foi. Desde o Ensino Fundamental, o acesso à universidade, até a conclusão do Ensino Superior. No Brasil, hoje, vemos avanços consideráveis, mas infelizmente a educação no nosso país ainda não corresponde às necessidades que tem a juventude e muito menos às necessidades que tem o Brasil. A juventude, nesse contexto todo, sofre bastante. Mas acredito que, mobilizada como está e participando das conferências em todos em níveis, podemos dar passos largos para que a juventude tenha mais direitos e participe do desenvolvimento do país. Este inclusive foi o lema da Conferência Nacional de Juventude, realizada em dezembro de 2011. Acredito que não tem como conquistar direitos se não for a partir do desenvolvimento do país.

·         O que ainda falta na educação brasileira?

Por um lado, foi universalizado o acesso nos primeiros níveis da educação. Não vemos problemas de vagas. Mas existe o problema de acesso a uma educação pública de qualidade, porque não existe. São raras as exceções. Os institutos federais de educação e as escolas privadas desenvolvem a educação para o indivíduo de fato como deve ser, com uma estrutura adequada, com biblioteca, laboratório, levando em consideração os avanços tecnológicos, com computador, enfim, com tudo que precisamos para nos relacionarmos com o mundo e o que precisamos de fato para aprender. Até porque na escola não é só a nossa vida acadêmica que está em questão, mas é a nossa formação enquanto cidadãos. Passamos muitos anos da nossa vida dentro da escola. É onde aprendemos a respeitar o nosso próximo, a nos relacionar com o outro, enfim, onde a gente cresce e se desenvolve! A família cumpre um papel muito importante, mas a escola é fundamental.

·         Então a escola não atende às necessidades dos jovens?

Penso que a escola não atende às necessidades do processo acadêmico, que é ensinar o estudante de verdade, de ele sair do terceiro ano do Ensino Médio mais bem preparado. E também não atende às outras necessidades. Vemos a imprensa noticiando crimes cometidos nas escolas, como tráfico de drogas e a violência. O espaço da escola não deve abrigar esse tipo de coisa. Precisa ser completamente diferente. Se a educação não cumpre o papel que precisa cumprir, é óbvio que deixa espaço para que aconteçam essas outras coisas que não deveriam acontecer nas escolas. Então é necessário investimento em educação e é necessário que a educação cumpra de fato o papel, que é de dar a possibilidade para que a gente cresça, se desenvolva. O ensino básico deve ser a porta de entrada para o mundo do trabalho e, em especial, para o acesso à universidade. Não dá para as coisas continuarem desse jeito. O espaço que existe entre o ensino básico e a universidade é um abismo enorme. No Brasil, os estudantes, hoje, concluem o terceiro ano sem condições. Existem casos, inclusive, de estudantes concluírem o terceiro ano do Ensino Médio sem saber ler e escrever. Dados recentes do Ministério da Educação relatam que mais de 50% deles ficam abaixo da nota mínima, por exemplo, em Matemática. Mas a juventude está disposta a lutar, a somar forças junto ao poder público para mudar essa situação.

·         Que importância têm os jovens para a sociedade?

Na história do nosso país, a juventude sempre foi protagonista dos movimentos que lutaram para conquistar alguma coisa. Não só para a juventude, mas para o povo brasileiro como um todo. Alguns exemplos disso são o direito à exploração do petróleo no nosso país, o papel que cumpriu para a redemocratização do Brasil na época da ditadura militar, o voto direto, o impeachment de um presidente da República corrupto, as lutas recentes contra as privatizações do governo Fernando Henrique, a luta pelo acesso à universidade. Como fruto dessas lutas conquistamos o Prouni, o Reuni etc. Então, concretamente no Brasil, a juventude cumpre um papel fundamental e tem se mobilizado bastante através das entidades estudantis, a UNE, a UBES e todas as outras entidades dos municípios, dos estados. Nos últimos anos, cumpriram um papel muito importante, especificamente em relação a essa questão da educação.

·         E quais são as perspectivas para o futuro?

A luta ainda é ferrenha para que a gente consiga as conquistas em todas as instâncias, municípios, estados e no Brasil. Temos que garantir mais investimento e, a partir daí, contribuir para melhorar todo o processo pedagógico, o currículo e o que a escola deve ser. Concretamente, a juventude tem se mobilizado, em especial pelas entidades estudantis. Mas há também jovens participando ativamente em partidos políticos. É muito importante a juventude se envolver, tomar partido sobre as questões da sociedade. A Conferência Nacional de Juventude é o ponto de encontro de todas essas lutas da juventude em todo o país. Além do resultado concreto, o que mobilizou de jovens desde as conferências municipais foi muito expressivo. No município de São Paulo, por exemplo, existe a demanda do transporte. É um assunto que se debate numa conferência e a juventude vai se reunindo através de suas organizações para concretizar essa demanda. Assim, outras necessidades são levantadas em cada recanto do país. Outro exemplo é o Estatuto da Juventude, que aponta e garante direitos e conquistas para toda a juventude brasileira. E foi um debate que surgiu a partir da organização dos jovens brasileiros.

 

Jovem, esperança e compromisso

A participação da juventude, especialmente neste século 21, se faz importante pelas novas tendências que o mundo apresenta: as grandes transformações, as questões ambientais, as dificuldades do planeta com a economia. E isso traz muitas consequências para os jovens. Por isso, a juventude precisa lutar, porque só ela pode transformar esse tempo novo que se apresenta; a juventude precisa assumir o protagonismo desse século 21 e transformar a sociedade para que possamos responder às novas questões.

É uma juventude que tem sede de um país mais justo, do fim da corrupção, sede de um meio ambiente mais bem cuidado. Ao mesmo tempo, é uma juventude que não tem voz, que não tem uma formação política, como outras gerações tiveram. Mas é uma juventude sedenta e que busca a todo momento encontrar um espaço para poder transformar, ainda que isso seja muito difícil.

As escolhas principais da juventude devem ser com relação à vida, à defesa da vida. Eu, como jovem cristão e participante da Pastoral da Juventude, acredito que a proposta de Jesus é uma proposta de vida. Mas, independentemente do credo, da religião, essa proposta em defesa da vida, em defesa dos direitos humanos é a proposta central de uma juventude participante e ativa, que transforma a história.

Acho que a grande dificuldade de ser jovem hoje é um sistema econômico cada vez mais opressor, que não prioriza a democracia. E essas dificuldades são diferentes em cada lugar. Mas a grande dificuldade é exatamente a desigualdade, a pobreza, que não conseguimos resolver. A fome, a violência e, especialmente hoje, a questão da drogas, que tem destruído muitos sonhos da juventude por ausência do Estado, de políticas públicas.

Por outro lado, a grande riqueza de ser jovem é a esperança. O jovem tem esperança, tem compromisso, e o jovem quer transformar a sociedade. Mesmo que não tenhamos muitos resultados, temos jovens que gritam. E hoje é especialmente nas redes sociais onde essa juventude tem mostrado a cara com mais ênfase. Mesmo que os grandes meios sejam tão restritos a pequenos grupos, as redes sociais aparecem como um meio que o jovem usa para mostrar sua voz, sua riqueza, sua diversidade cultural.

 

Vinícius Borges Gomes Santo Antonio do Amparo, MG.


Fonte: <http://www.mundojovem.com.br/entrevistas/edicao-433-a-ousadia-dos-jovens-para-construir-o-novo>


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